Informações Técnicas e Econômicas

   

Dos quatro componentes do setor de saneamento, os serviços de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas são os que encontram espaço para maior desenvolvimento. A urbanização acelerada, com a falta de disciplinamento do uso e ocupação do solo, inclusive das áreas de inundação natural dos rios urbanos, e, ainda, a falta de investimentos em drenagem das águas pluviais, tem resultado no grande aumento das inundações nos centros urbanos. Também o uso do sistema de drenagem para esgotamento sanitário doméstico, o que é proibido, a não existência de medidas preventivas nas áreas sujeitas à inundação e a predominância de uma concepção obsoleta nos projetos de drenagem têm contribuído para a ampliação dessa problemática.

Um adequado sistema de drenagem pode proporcionar uma série de benefícios, tais como:
- redução de gastos com manutenção de vias públicas;
- valorização das propriedades existentes na área beneficiada;
- redução de danos às propriedades e do risco de perdas humanas;
- escoamento rápido das águas superficiais, facilitando o tráfego por ocasião das chuvas;
- eliminação da presença de águas estagnadas e lamaçais, focos de doenças;
- redução de impactos da chuva ao meio ambiente, como erosões e poluição de rios e lagos;
- redução da incidência de doenças de veiculação hídrica;
- condições razoáveis de circulação de veículos e pedestres em áreas urbanas, por ocasião de chuvas frequentes e/ou intensas.

As medidas de controle que visam minimizar os danos causados por alagamentos, por inundações, pelas enchentes e pela falta de recarga dos aquíferos podem ser estruturais e não estruturais.

As medidas não estruturais incluem, por exemplo, as normas e os regulamentos que disciplinam a ocupação e o uso do solo e a conscientização da população por meio da educação ambiental formal e não formal quanto à necessidade de observância de tais normas e regulamentos. As ações não estruturais atuam e ampliam seu efeito ao longo do tempo, além de serem menos onerosas e contribuírem, via de regra, para a redução dos custos das ações estruturais.

As medidas estruturais mitigadoras dos danos provocados pelas águas pluviais devem ter início no próprio planejamento da ocupação e uso do solo para que tenham menor custo econômico e socioambiental. São exemplos de ações, entre outras: a ocupação progressiva do solo acompanhada das obras de infraestrutura básica; a preservação de áreas verdes naturais principalmente junto às drenagens e a previsão e execução de obras de controle do escoamento superficial das águas pluviais.

Alguns componentes mais comuns das redes de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas são:
- Bocas-de-lobo ou Bueiros: são estruturas destinadas à captação das águas superficiais transportadas pelas sarjetas; em geral situam-se sob o passeio ou sob a sarjeta;
- Galerias: são condutos destinados ao transporte das águas captadas nas bocas coletoras até os pontos de lançamento. Possuem diâmetro mínimo de 400 milímetros;
- Guia ou meio-fio: é a faixa longitudinal de separação do passeio com a rua;
- Poços de visita: são câmaras situadas em pontos previamente determinados, destinados a permitir a inspeção e limpeza dos condutos subterrâneos;
- Sarjeta: é o canal situado entre a guia e a pista, destinada a coletar e conduzir as águas de escoamento superficial até os pontos de coleta;
- Trecho de galeria: é a parte da galeria situada entre dois poços de visita consecutivos.

Também constituem-se Sistemas de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas, entre outros:

- Bacias de Detenção: estruturas impermeabilizadas que impedem a infiltração e apenas retêm temporariamente a água, que, por sua vez, é aos poucos liberada, regulando os picos de vazão. Podem possuir dispositivo de fuga para pequenas vazões direcionadas para infiltração ou para a rede pública de drenagem de águas pluviais. As Bacias de Detenção também podem abrigar fauna e flora aquáticas e favorecer a evapotranspiração

- Bacias de Retenção: muitas vezes usadas como Bacias de Infiltração. As Bacias de Retenção podem ser bacias permanentes com lâmina d'água e processos que facilitam a infiltração de água no solo. As Bacias de Retenção podem integrar-se paisagisticamente ao ambiente, ao mesmo tempo em que contribuem para a redução do escoamento superficial ao possibilitar a acumulação e a infiltração das águas pluviais.

- Bacias de Sedimentação: As Bacias de Sedimentação são estruturas de armazenamento temporário que retêm sólidos em suspensão ou absorvem poluentes vindos do escoamento de águas superficiais. Permitem armazenagem rápida nos picos de cheia e liberação dessa água lentamente para os sistemas de drenagem e podem ser incorporadas para prevenir erosões.

- Pavimentos Drenantes: Podem ser usados para a circulação de veículos (ciclovias, ruas, avenidas e rodovias) e de pedestres (calçadas), em estacionamentos e em áreas destinadas à carga e à descarga, ou ainda com o objetivo de simplesmente possibilitar a infiltração da água de chuva.

- Poços de Infiltração: São estruturas geralmente cilíndricas cuja profundidade e diâmetro dependem das características do perfil do solo e do volume de água a ser infiltrado. O dimensionamento deve considerar o volume de armazenamento do poço e a capacidade de infiltração do terreno.

- Reservatórios de Armazenamento: São usados para armazenamento da água coletada do telhado e áreas públicas, como estacionamentos, ruas e avenidas, e destinada ao reuso. Essa água deve passar antes por um filtro para remoção de partículas sólidas e outros poluentes. Em unidades residenciais, comerciais e industriais, os reservatórios podem ser enterrados ou suspensos, o que facilita a utilização da água.

- Trincheiras ou valas de Infiltração: Permitem o armazenamento e a infiltração de água no solo. São estruturas lineares pouco profundas que são preenchidas total ou parcialmente com material granular, como britas e seixos, e revestidas com manta de geotêxtil que funciona como filtro.

•    Plano Diretor de Drenagem Urbana do Distrito Federal (PDDU)

O PDDU indica o desenvolvimento das ações sobre os serviços públicos de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas na cidade. Assim, foi elaborado o Plano Diretor de Drenagem Urbana do Distrito Federal por meio de consultoria especializada, tendo sido o produto avaliado tecnicamente pelos servidores da ADASA e da NOVACAP, e consolidando-se em 2009.

O PDDU contribui para um melhor gerenciamento da implantação de obras públicas e privadas no ambiente urbano, realizando o zoneamento de áreas de inundação e evitando ocupações em áreas de risco, além de minimizar os impactos ambientais provocados nos corpos hídricos, projetando sistemas que permitam que sejam lançados apenas quantidades limitadas de águas pluviais, semelhantes àquelas lançadas antes de qualquer vestígio de urbanização.

O PDDU está aberto a sociedade através do endereço eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..


•    Sustentação Econômica – Financeira

A sustentação econômico-financeira dos serviços públicos de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas se configura na capacidade orçamentária própria para financiar integral e permanentemente, via orçamento geral, complementada pelo acesso aos recursos federais onerosos e não onerosos. A ADASA está realizando os estudos para embasamento do equacionamento financeiro da prestação destes serviços.


•    Dicas de Educação:

- Respeitar o coeficiente de ocupação do solo, mantendo a vegetação na área não edificável.

- Não jogar papéis, tocos de cigarros, vasilhames de bebidas nas ruas, parques e jardins obstruindo os sistemas de drenagem, como bueiros e bocas de lobo, e propiciando o aparecimento de doenças, baratas, ratos, etc.

- Não lançar águas servidas (águas de esgotos) nas ruas, nas calçadas, nos sistemas de drenagem de águas pluviais e nos cursos d’água.

- Aproveitar a água da chuva.


•    Dicas do que fazer em caso de temporais e enxurradas:

- No veículo:

* Não passe em locais em que o meio-fio não está visível.

* Não tente atravessar correntezas. Elas descem com força e grande volume.

* Nas tesourinhas, se o veículo começou a encher de água, saia imediatamente, tomando cuidado em onde pisar. Pode haver buracos.

* Retire, primeiramente, as crianças e os idosos.

* Não fique no carro. Com a invasão da agua, o sistema elétrico fica comprometido. Isso pode acarretar em curto-circuito. Ligue para o socorro do lado de fora.
 
- No subsolo:

* Considerando um grande volume de água em velocidade rápida, a primeira atitude é desligar a energia elétrica. Isso evita curtos-circuitos.

* Em hipóteses alguma, deixe crianças, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção em locais submersos.

* Em garagens, se a água estiver em alta velocidade, não tente retirar o veículo. Use sempre o bom senso.

- Em caso de raios:

* Mantenha-se afastado de árvores e de postes de iluminação.

* Procure abrigo dentro de casa e em prédios.

* Não fique em espaços abertos.

* Não ande de bicicleta.