Grafites premiados em concurso incentivam no cidadão a preocupação com a drenagem pluvial

O objetivo do Concurso Água da Chuva: É pro Lago que eu vou, quero ir limpinha, mais que escolher as melhores entre 57 imagens que desde há dois fins de semana ilustram bocas de lobo na Bacia Hidrográfica do Lago Paranoá, era difundir a conscientização sobre o destino das águas que escorrem pelas galerias de águas pluviais. Mas o resultado veio antes dos grafites ficarem prontos, ainda quando os sprays de tinta chiavam. Ao redor dos artistas, crianças e adultos, moradores de 17 regiões administrativas do Distrito Federal, viram as obras ganharem formas sobre o concreto e o asfalto e começaram a fazer perguntas.

A curiosidade da plateia reforçou nos próprios grafiteiros o interesse pelo assunto, pelo tema que serviu de inspiração para as pinturas. Daí que expressões incomuns ao cotidiano dos artistas e das testemunhas começam a ganhar mais sentido: conscientização da sociedade, educação ambiental, poluição, diminuição da capacidade de drenagem, bacia hidrográfica, impermeabilização do solo. “Foi legal a interação com a galera, o trabalho despertou a curiosidade e incentivou a discussão sobre um assunto que não está presente no cotidiano da comunidade”, explicou Leonardo Henrique Martins da Silva.

Karek, como o morador de Sobradinho é mais bem conhecido, é o autor das imagens premiadas com o primeiro e o segundo prêmios no concurso. Na manhã desta quinta-feira, 27, o rapaz de boné, tatuagens e cabelo raspado recebeu, das mãos do diretor-presidente da Agência Reguladora das Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), Paulo Salles, dois troféus pelos grafites que ilustram bocas de lobo no Varjão. E a inspiração para os desenhos veio, como tem que ser, da realidade.

Leonardo, ou Karek, é um esporádico usuário das águas do Lago Paranoá. “Vou para nadar mesmo”, conta. E, quando foi decidir-se sobre o que retratar nas bocas de lobo, só precisou se lembrar das imagens que encontrou numa das vezes em que foi se banhar com os amigos. Um dos grafites mostra uma garrafa pet suspeitíssima boiando e, o outro, traz o retrato de um mergulhador, com o corpo submerso, apenas com a cabeça para fora d’água – mas, junto do óculos de proteção, uma intrusa casca de banana.

A primeira edição do concurso, uma iniciativa da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental do distrito Federal (Abes-DF) com o patrocínio da Adasa e o apoio de outras oito instituições governamentais, reuniu 29 artistas que, nos últimos dias 15 e 16, pintaram com sprays 57 bocas de lobo, todas na área da bacia do Paranoá. Uma comissão julgadora, com representantes das organizações que se uniram para viabilizar o certame, decidiu pela premiação de dez grafites e escolheu as pintura de Leonardo como as melhores.

Os artistas receberam da organização do concurso a ajuda de custo de R$ 300, por pintura, para trabalharem na elaboração das imagens, que, por regra, tiveram como suporte bocas de lobo. Cada grafiteiro também dispôs de kit de tintas, fitas para isolamento do local e colete de segurança. Policiais cuidaram da proteção da área que seria pintada e fizeram o isolamento desses espaços com cones e fitas de segurança. Os trabalhos incentivam a conscientização de que a água drenada das ruas deságua no Lago Paranoá. Será útil também para alertar que, quando chove, o lixo e a sujeira das ruas termina no lago.

“Hoje, e cada vez mais, as pessoas se dão conta de que a água é um bem finito e precisa de cuidado”, comentou, durante a solenidade de premiação do concurso, o diretor presidente da Adasa, Paulo Salles. “Esse é um exemplo de ação de educação ambiental bem feita, que produz bons resultados e contribui para acabar com a dificuldade que as pessoas têm de entender que a sujeira das ruas vai parar dentro do lago.” A bacia do Paranoá abrange área com 1004 quilômetros quadrados, com amplitude que vai da face leste do Pistão Sul, em Taguatinga, até o lado oeste da cidade do Paranoá. Conforme dados da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), o Distrito Federal conta com mais de 170 mil bocas de lobo e mais de 4 mil quilômetros de rede de drenagem.

2017

A comissão julgadora do Concurso Água da Chuva: É pro Lago que eu vou, quero ir limpinha reuniu representantes da Abes, da Adasa, da Secretaria da Cultura do Distrito Federal, do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), do Serviço de Limpeza Urbana, da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), do Comitê de Bacia do Lago Paranoá, do Fórum das Ongs Ambientalistas do Distrito Federal, do Movimento Nossa Brasília, do Movimento Ocupe o Lago, da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) e de movimentos culturais do Distrito Federal. Durante a solenidade de premiação, os organizadores manifestaram a intenção de repetir a iniciativa em 2017.

Entre os grafiteiros, o prazer do trabalho reconhecido veio junto com uma outra sensação, igualmente prazerosa. “Foi um lance que me fez correr atrás, que provocou a conscientização, despertou meu interesse e que, de quebra, trouxe mais respeito para a cultura de rua”, avaliou André Luiz Martins Campos, autor dos trabalhos premiados com o sexto e o sétimo melhores. “Agora, quando alguém vir um grafiteiro com uma lata na mão, junto a um muro, vai pensar duas vezes antes de chamar de vagabundo.” Os dois troféus foram para a casa de Oneal, o codinome do artista, para ganharem lugar na prateleira da sala. “Quase ninguém vai ao meu quarto, quero que muita gente veja”, justificou.

 

encontro grafiteiros

O diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles, ao lado do grafiteiro, Leonardo da Silva, o Karek.

 

 

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