Comitês de Bacia discutem ações para a melhoria da qualidade da água no DF

 

Qual a qualidade dos corpos d’água no Distrito Federal? Como eles estão hoje? No que pretendemos transformá-los e o que será possível fazer? Esses foram os principais pontos destacados pelos Comitês de Bacias Hidrográficas do DF (Paranaíba DF, Preto e Maranhão) no 2º Encontro de Integração, realizado na terça-feira (10/12), no auditório da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa).

O diretor do órgão regulador Jorge Werneck, assegura que o Distrito Federal é a unidade da Federação melhor monitorada em termos de qualidade de água. Além do acompanhamento da Adasa, que dispõe de uma rede de monitoramento em 54 pontos localizados em córregos e rios e 18 em reservatórios, a Caesb também efetua monitoramento nas bacias que utiliza.

Segundo Werneck, as bacias hidrográficas urbanas são as mais preocupantes, por estarem localizadas em regiões próximas às estações de tratamento de esgoto. “Apesar da coleta e tratamento de 85% do esgoto gerado, os outros 15% podem causar grande impacto em razão da baixa vazão de nossos rios e córregos”, afirmou.

Para a bióloga e professora do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB), Cristina Brandão, que participou do evento, a ligação clandestina de esgoto na rede de água pluvial é parte de um problema ainda maior. Segundo ela, as estações de tratamento de água, de um modo geral, não dispõem de tecnologias eficientes capazes de dirimir efeitos de determinados componentes encontrados na água bruta, provenientes de diferentes atividades econômicas e hábitos de consumo das pessoas.

Em relação ao Lago Paranoá, a professora destacou pesquisa realizada em 2012, em parceria com pesquisadores alemães, que verificaram a boa qualidade da água deste reservatório em relação aos fármacos, mas indicaram  riscos futuros diante do crescimento demográfico, ligações clandestinas de esgoto e utilização mais intensa de medicamentos e hormônios. Na época, foram analisados 54 compostos fármacos, com ênfase para os antibióticos. “A gente tem que se preocupar com o lançamento de fármacos no esgoto, seja pela excreção natural ou pelo hábito de jogar medicamentos não utilizados no vaso sanitário, porque podem estar se acumulando nos ambientes aquáticos”, observou.

Para Cristina, parte da solução da contaminação da água estaria relacionada à mudança de hábito de consumo de higiene pessoal, cujos componentes interferem na qualidade, e à prática de venda fracionada de medicamentos para evitar o desperdício e o despejo de remédios pelo esgoto. “Temos que ter um pouco mais de atenção com a matriz de risco e conhecer um pouco mais o Lago Paranoá”, defendeu.

Apesar desse cenário, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que o risco ao homem ainda é baixo, porque as concentrações no ambiente ainda são pequenas. “A dúvida é o que está por vir”, observa a professora, que defende políticas públicas eficazes e uma ação integrada entre os comitês de bacias, a Academia, a Adasa e órgãos da saúde para entender melhor a situação e definir ações.

As normas internacionais de qualidade dos ambientes aquáticos e perspectivas para o Brasil foi outro tema abordado no encontro dos Comitês de Bacia do DF. Segundo a professora Lenora Gomes, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB), a diferença de tratamento na discussão sobre a qualidade da água em países como Estados Unidos e Dinamarca está no conceito do estado ecológico. “O olhar da qualidade da água não seria direcionado exclusivamente para o principal uso daquele corpo d’água; seria o equilíbrio ecológico com essa visão”, afirmou.

Sobre esse aspecto, Cristina Brandão observou que a cultura brasileira não é trabalhar com planejamento. “O planejamento e a análise ainda não fazem parte da nossa cultura. Trabalhamos hoje com um bando de dados e não com banco de dados. Precisamos mudar a nossa própria cultura de como olhar a água, o ambiente e não concentrar a nossa cobrança em questões pontuais”. O Diretor da Adasa, Jorge Werneck, ressaltou que a Adasa contratou consultoria especializada para análise de todos os dados de qualidade da água já coletados pelo órgão e proposta de melhorias em sua rede de monitoramento, com foco na gestão dos recursos hídricos no DF.

Enquadramento

Durante o debate foi discutido também o enquadramento dos corpos d’água no DF, instrumento de gestão estabelecido pela Política Nacional de Recursos Hídricos para garantir que a qualidade da água seja compatível com as suas demandas. A classificação orienta o controle da poluição e o acompanhamento da evolução da qualidade dos corpos d’água, para garantir a sua utilização no abastecimento doméstico, recreação, irrigação, dessedentação animal, navegação e produção de energia. O tema voltará à pauta dos comitês no próximo ano.

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