Salles: o racionamento foi o primeiro passo em direção a uma nova cultura

O fim do racionamento não significa o abandono das boas práticas. A observação é do diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal, Paulo Salles, sobre o fim do racionamento, na última sexta-feira (15/6). Em entrevista, ele assegura o trabalho vigilante do órgão para garantir o abastecimento, e acredita que a experiência foi o primeiro passo em direção a uma nova cultura na relação com a água. Acompanhe:

O que esperar com o fim do racionamento?

Esperamos que a população compreenda que o fim do racionamento não significa o abandono das boas práticas aprendidas durante esse período. Uma parcela significativa da população se manifestou a favor da manutenção do racionamento. Creio que muitos deles continuarão poupando água, confirmando-se aqui, em Brasília, o que ocorre em outros locais: depois de um racionamento, a população passa a consumir menos água do que consumia antes de vivenciar essa restrição.

Existe algum risco a partir de agora? O fato do tema sair da mídia pode comprometer a segurança hídrica?

A Adasa preparou duas curvas de acompanhamento do volume útil, para os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria. Serão mantidas as reuniões com a Caesb, a SEAGRI, a EMATER e a Adasa, e o Grupo de Acompanhamento da crise hídrica. Vamos acompanhar as curvas com muita atenção, e tomaremos medidas para evitar que nos afastemos das metas previstas para cada mês. Também é importante ressaltar que os investimentos feitos pelo GDF e pela Caesb estão aumentando significativamente a oferta de água para o abastecimento, o que certamente aumenta muito a segurança hídrica.

Ao divulgar conceitos corretos e promover a educação para a economia de água, a mídia deu contribuições muito importantes em todo o processo, antes e durante o racionamento. Esperamos que continue a dar a mesma contribuição nessa etapa pós-racionamento, mostrando diariamente os níveis dos reservatórios e divulgando as curvas de acompanhamento. Isso ajudará a manter a população ligada no assunto.

E a área rural? Foram avaliados os riscos com o fim do racionamento? O que está sendo feito para evitar novas surpresas?

Para a área rural, também está sendo oferecida maior disponibilidade de água, ainda que seja menor que aquela consumida antes do racionamento, tanto para a Caesb como para os agricultores. Com efeito, todos estamos saindo do racionamento, mas nosso consumo não deve repetir uma época de uso despreocupado de água.

Entretanto, os trabalhos já feitos e outros em andamento, incluídas boas práticas de manejo da água na irrigação, a seleção de culturas mais resistentes à seca e melhora na infraestrutura dos produtores - incluindo-se tanques lonados para armazenamento de água, impermeabilização e ajustamento de canais e a utilização de hidrômetros e outros equipamentos - certamente permitem fazer muita economia de água, quando comparado ao passado.

O apoio da SEAGRI, da EMATER e da EMBRAPA foram essenciais para essa melhora. A Adasa também dá uma grande contribuição, com a prática da alocação negociada, estudos realizados pelos nossos técnicos, campanhas de esclarecimento, coleta e análise sistemática de dados (usados na avaliação da curva de acompanhamento) e monitoramento continuado, bem como na elaboração de projetos e apoiando medidas que representem melhorias para a área rural.    

O que ficou de lição em todo esse episódio?

O tempo vai mostrar o que ficará registrado no coração e nas mentes dos brasilienses depois deste período de racionamento. Sentimos, na pele, como a escassez de água tem impacto em praticamente todas as instituições e atividades humanas. Aprendemos muito sobre como viver com menos água. Nesse sentido, foi muito grande o número de inovações tecnológicas caseiras, desenvolvidas pela própria população para a solução de problemas cotidianos de restrição de abastecimento.

Aprendemos também muito com a realização do 8º Fórum Mundial da Água. Mais de 120 mil pessoas participaram diretamente deste grande evento internacional, e, mais importante, cerca de metade desse número impressionante refere-se a crianças e jovens estudantes. A experiência certamente vai acompanhar as vidas de cada um deles, como uma grata lembrança.

As instituições também mudaram durante este período de crise hídrica. Os setores produtivos lutam para economizar água, insumo fundamental para a produção. Os órgãos de governo estão muito mais atentos ao gasto e ao desperdício de água, depois da elaboração do Plano Integrado de Enfrentamento da Crise Hídrica.

A Adasa, por sua vez, amadureceu no seu papel de Agência Reguladora, depois da revisão de normas antigas e da emissão de muitas resoluções relacionadas ao assunto. Melhoraram muito as discussões técnicas e a qualificação dos nossos servidores e colaboradores. Também ampliamos nossa infraestrutura para monitoramento e coleta de dados, e está em aperfeiçoamento o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos, o que, além da melhorar muito as condições de trabalho da Adasa, vai aumentar ainda mais nossa comunicação com técnicos, cientistas, com o público em geral e com outras instituições.

Não podemos deixar de destacar também a grande rede de contatos e conhecimentos à qual a Adasa está ligada, após o Fórum Mundial da Água. A Adasa hoje é reconhecida e respeitada pela população de Brasília, e ganhou uma projeção nacional e internacional. Além do grande intercâmbio feito durante a preparação do Fórum, a Adasa hoje está buscando consolidar pontes com instituições internacionais que nos ajudarão ainda mais a oferecer um serviço de melhor qualidade para a população de Brasília. Podemos obter muitos frutos dessas novas conexões.

Quais os próximos passos?

O sentimento é o de que demos os primeiros passos em direção a uma nova cultura nas nossas relações com essa substância especialíssima que é a água, que certamente influenciará as formas de uso. Vamos agora acompanhar com atenção os desdobramentos de todos os conhecimentos e vivências experimentadas nesses últimos anos. Compreender ajuda a estabelecer envolvimento com as boas causas. Já temos um bom começo. 


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